Finasterida e planeamento familiar: o que sabemos sobre o esperma, a parceira grávida e o spray?

1 mg de finasterida por dia, em homens jovens saudáveis, num estudo de 48 semanas controlado por placebo, não alterou o esperma; foi medida uma ligeira diminuição na dose de 5 mg e na dutasterida, e uma grande melhoria após a suspensão é descrita por séries de casos sem controlo, sobre homens cuja produção de esperma já era à partida fraca. A hipótese de conceção não foi estudada para nenhum dos fármacos, e, sobre se é preciso suspender antes, e se sim, com quanta antecedência, nenhuma das orientações que revi dá uma resposta geral. Sobre a parceira grávida, os documentos dizem coisas diferentes consoante o preparado, o efeito na fertilidade do spray não foi estudado, e a parceira grávida tem o seu próprio risco, exercido por contacto com a pele.

Tomo finasterida há três anos por causa da minha queda de cabelo, e uso minoxidil há quatro anos. Se vocês quiserem ter um filho, surgem três perguntas sobre a finasterida: prejudica o esperma, pode prejudicar a tua parceira grávida ou o bebé por nascer, e é preciso suspender antes, e se sim, com quanta antecedência. A pergunta também chega aos serviços de aconselhamento na gravidez: no serviço canadiano Motherisk, entre 2002 e 2007, de 188 188 consultas, 301 (0,16 por cento) foram sobre se o pai tomava algum medicamento, e, entre estes, entre os fármacos mais perguntados estava, além do metotrexato, da prednisona e da azatioprina, também a finasterida1.

A resposta é diferente para o comprimido de 1 mg, o de 5 mg, a dutasterida e o spray aplicado no couro cabeludo, por isso descrevo cada um em separado, junto com os documentos oficiais, que também diferem entre si. Sobre os fundamentos da finasterida e da dutasterida, o seu modo de ação e os seus efeitos secundários, escrevi no artigo principal.

O meu cabelo começou a cair aos 16 anos, comecei a tratá-lo aos 18.

Estes são medicamentos sujeitos a receita médica. Não prescrevo nada, e não substituo o médico. A ponderação entre o benefício e o risco, a dosagem e o acompanhamento cabem ao teu médico, sobretudo se tiveres uma doença crónica, tomares outro medicamento, ou estiverem a planear ter um filho. O objetivo é que, com todos os factos, tu e o teu médico possam decidir.

O que faz a finasterida ao esperma?

Com a dose diária de 1 mg, em homens jovens saudáveis, não se mediu alteração em relação ao placebo no sémen; uma redução ligeira, em parte transitória, foi medida com a dose de 5 mg e com a dutasterida. Os estudos observam quatro coisas. O volume seminal é a quantidade de líquido que sai numa ejaculação, em mililitros. A concentração espermática indica quantos espermatozoides há por mililitro, e a contagem total de espermatozoides quantos há no total numa ejaculação, ou seja, o produto da concentração pelo volume. Por isso, a contagem total de espermatozoides pode diminuir mesmo sem alteração da concentração: se houver menos sémen. A motilidade é a capacidade de movimento dos espermatozoides, a morfologia é a sua forma.

1 mg por dia, a dose autorizada para a queda de cabelo. Overstreet e colaboradores, em 1999, distribuíram aleatoriamente 181 homens saudáveis, entre os 19 e os 41 anos, para 1 mg de finasterida por dia ou placebo, em dupla ocultação, durante 48 semanas, e um subgrupo de 79 forneceu amostras de sémen regularmente. A finasterida não alterou de forma significativa a concentração espermática, a contagem total de espermatozoides, a motilidade nem a forma. O volume seminal diminuiu 0,3 ml (11%) em quem tomou finasterida, e 0,2 ml (8%) em quem tomou placebo, sem diferença significativa entre os dois grupos. A conclusão dos autores foi que as 48 semanas de tratamento não afetaram a produção de esperma.2 A limitação é que se refere a homens saudáveis, não inférteis, e o resumo não apresenta os dados do sémen do período de 60 semanas após o tratamento; não tive acesso ao texto completo. O resumo das características do medicamento britânico do produto original (Propecia) refere que, nos seus três estudos de 12 meses, controlados por placebo (945 homens receberam Propecia, 934 placebo), a diminuição do volume seminal como efeito secundário foi relatada por 0,8% dos que tomaram Propecia e por 0,4% dos que tomaram placebo. O documento menciona também um estudo separado no qual o efeito sobre o volume seminal não diferiu do placebo.3 O documento americano cita, de um estudo de 48 semanas, exatamente o mesmo par de números de Overstreet (0,3 ml e 11%, contra 0,2 ml e 8%),4 por isso é provável que se trate do mesmo estudo, e não de uma confirmação independente.

5 mg por dia, a dose para a hipertrofia da próstata, cinco vezes a dose usada para a queda de cabelo. Amory e colaboradores, em 2007, estudaram 99 homens saudáveis durante um ano: 34 tomaram 5 mg de finasterida por dia, 33 tomaram 0,5 mg de dutasterida por dia, 32 tomaram placebo. A contagem total de espermatozoides, em relação ao início, diminuiu de forma significativa na semana 26, 34,3% com a finasterida, 28,6% com a dutasterida. Na semana 52 (a diminuição foi de 16,2% com a finasterida, 24,9% com a dutasterida) e 24 semanas após o fim do tratamento (6,2% e 23,3%), a diferença já não era significativa em nenhum dos dois. A motilidade diminuiu 6-12% com ambos os fármacos, tanto durante o tratamento como no seguimento, e a morfologia não foi alterada por nenhum deles. Os autores descrevem isto como uma diminuição ligeira, que parece reversível após a interrupção.5 Estas percentagens referem-se ao valor inicial, não estão ajustadas ao placebo.

Uma revisão de Quintero e colaboradores, de 2026, associa a finasterida a uma diminuição de 34% na contagem espermática, e a dutasterida a 29%.6 O resumo não indica de qual estudo provêm estes números. Coincidem, arredondados, com os valores da semana 26 do estudo de Amory (34,3% e 28,6%), por isso a minha conclusão própria é que provavelmente vêm daqui; se assim for, trata-se do valor transitório da dose de 5 mg, que na semana 52 já não era significativo, e não se aplica à dose de 1 mg. Para a dose de 1 mg, o dado controlado por placebo é o do estudo de Overstreet.

O documento americano do comprimido de 5 mg descreve também um estudo de 24 semanas em voluntários saudáveis: a mediana do volume seminal diminuiu 0,6 ml (22,1%), e com ela diminuiu também a contagem total de espermatozoides por ejaculação. A concentração, a motilidade, a forma e o pH não sofreram alteração clinicamente relevante. Os valores mantiveram-se dentro do intervalo normal, e voltaram ao inicial após a interrupção do medicamento, em média ao fim de 84 semanas.7 O documento não indica o número de participantes nem o grupo de controlo.

0,5 mg de dutasterida por dia. Segundo a comunicação oficial de 2025, acordada com a EMA, a dutasterida está indicada para o tratamento sintomático da hipertrofia benigna da próstata, a queda de cabelo não consta das suas indicações.8 O resumo das características do medicamento britânico do Avodart descreve voluntários saudáveis entre os 18 e os 52 anos (27 receberam dutasterida, 23 placebo), com 52 semanas de tratamento e 24 de seguimento. Na semana 52, ajustado ao placebo, a contagem total de espermatozoides diminuiu 23%, o volume seminal 26%, a motilidade 18%, sem alteração na concentração nem na forma. 24 semanas após o tratamento, a contagem total de espermatozoides ainda estava 23% abaixo do valor inicial. Os valores médios mantiveram-se sempre dentro do intervalo normal, e não atingiram a alteração de 30% previamente definida como clinicamente relevante, mas em dois homens a contagem espermática diminuiu mais de 90% até à semana 52, com melhoria parcial no seguimento. Segundo o documento, não se pode excluir a possibilidade de redução da fertilidade masculina.9 O documento americano refere que o efeito sobre a contagem total de espermatozoides não reverteu após 24 semanas de seguimento.10

O documento não indica de que estudo se trata. Com base na dose, nas 52 semanas de tratamento, nas 24 semanas de seguimento e nos voluntários saudáveis, é provável que se trate do mesmo estudo que Amory e colaboradores comunicaram em relação ao valor inicial, ajustado agora ao placebo, por isso não considero as duas séries de números como duas confirmações independentes. A revisão sistemática de Jebli e colaboradores, de 2026 (uma síntese descritiva de 184 estudos, sem meta-análise), centrou-se nos estudos mais recentes que apresentam evidência de boa ou alta qualidade sobre efeitos nocivos de certos fármacos nas hormonas masculinas ou na fertilidade, e nomeia a dutasterida entre eles; não tive acesso ao texto completo, por isso não vejo em que estudos se baseia.11

A finasterida pulverizada no couro cabeludo. Não encontrei nenhum estudo sobre sémen ou fertilidade, e o resumo das características do medicamento do spray afirma que o seu efeito na fertilidade humana não foi estudado.12 Sobre isto há uma secção à parte mais abaixo.

O que podes levar daqui: se leres um número sobre contagem espermática, verifica a que dose, a que semana e em comparação com o quê se refere. Para a dose de 1 mg, em homens saudáveis, não se mediu diferença em relação ao placebo; a diminuição ligeira foi medida com a dose de 5 mg e com a dutasterida, e no caso da dutasterida os documentos indicam que a contagem total de espermatozoides não voltou ao valor inicial mesmo após 24 semanas de seguimento.

O microagulhamento é um estímulo mecânico sem efeito hormonal, por isso pode juntar-se ao que atua sobre o nível de DHT.

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E se o meu esperma já for mais fraco à partida?

Em homens que recorreram a uma clínica de fertilidade e tomavam finasterida, descreveu-se uma grande melhoria após a interrupção do fármaco, sem grupo de controlo. Oligospermia significa que o sémen tem poucos espermatozoides, azoospermia que não tem nenhum.

Samplaski e colaboradores, em 2013, analisaram a base de dados de uma clínica de infertilidade masculina de Toronto, entre 2008 e 2012. Dos 4400 candidatos, 27 (0,6%) tomavam finasterida, em média 1,04 mg por dia, em média há 57,4 meses. Após a interrupção do fármaco, a contagem espermática aumentou em média 11,6 vezes. Dos que tinham concentração abaixo de 5 milhões/ml, 57% subiram para acima de 15 milhões/ml. Em nenhum homem a contagem espermática diminuiu, e os valores hormonais, a motilidade e a forma não se alteraram. A conclusão dos autores é que a finasterida, mesmo em dose baixa, pode reduzir a contagem espermática em alguns homens, deve ser interrompida em homens com fertilidade reduzida e poucos espermatozoides, e deve ser usada com precaução por quem deseja ter filhos.13 Isto foi uma comparação antes-depois, sem grupo de controlo, num grupo já em avaliação por infertilidade, e o resumo não indica quanto tempo depois da interrupção se repetiu a medição. Sem controlo, também não se pode separar quanto da melhoria se deve à interrupção do fármaco, porque uma nova medição, após um resultado muito mau, também pode ser melhor por acaso. A minha leitura pessoal é que o fator médio de 11,6 vezes é fortemente elevado pelos casos de partida muito baixa, por isso daqui não se pode concluir que a contagem espermática de um homem saudável cairia para um décimo por causa da finasterida.

Os relatos de casos apontam na mesma direção. Liu e colaboradores, em 2008 (o mesmo grupo de Toronto), descreveram dois homens que tomavam 1 mg por dia para a queda de cabelo. Um tinha azoospermia há mais de um ano e estava referenciado para biópsia testicular; seis meses após a interrupção da finasterida, a sua concentração passou a 5,5 milhões/ml. O outro passou de 4 milhões/ml para 6,6 ao fim de 3 meses, e para 18,7 milhões/ml ao fim de 6 meses.14 Chiba e colaboradores, em 2011, descreveram um homem que, cinco anos antes, já tinha um resultado de poucos espermatozoides, e que, após um ano de finasterida a 1 mg por dia, ficou com azoospermia; após a interrupção, o volume seminal aumentou de imediato, e 16 semanas depois a concentração subiu para acima de 10 milhões/ml. Segundo os autores, em homens com produção espermática já comprometida, o fármaco pode agravá-la ainda mais.15

Tu e Zini, em 2011, descreveram um homem de 48 anos com valores espermáticos normais, mas com alta fragmentação do ADN (a fragmentação do ADN dos espermatozoides), que tomava finasterida em dose baixa. O índice de fragmentação era de 30% um ano antes, e ainda o mesmo dois meses depois; após a interrupção, passou a 21% ao fim de 3 meses, e a 16,5% mais 3 meses depois. Até à publicação não tinha nascido nenhum filho, e os autores apenas presumem a relação causal.16 Collodel e colaboradores, em 2007, estudaram num centro de fertilidade três homens jovens que tomavam finasterida há cinco anos. Um ano após a interrupção, a produção espermática normalizou-se, a motilidade e a forma melhoraram, mas a proporção de espermatozoides com número cromossómico anómalo (conjunto cromossómico duplo, ou cromossoma sexual extra) manteve-se elevada. A publicação não regista uma medição anterior ao tratamento, por isso a causa não pode ser avaliada.17 Ricci e colaboradores, em 2012, descreveram um homem que tomava finasterida há cerca de 10 anos: 3 meses após a interrupção mediu-se uma contagem espermática gravemente baixa, um mês depois a concentração melhorou, no mês seguinte a parceira engravidou espontaneamente, e nasceu, de termo, um filho saudável.18 Estes são relatos de casos, de uma a três pessoas, sem controlo.

A revisão de Drobnis e Nangia, de 2017, refere que as doses baixas usadas para a queda de cabelo foram estudadas por menos investigações, e estas mostraram pouco efeito em homens com qualidade seminal normal, mas um efeito negativo na contagem espermática em homens com poucos espermatozoides.19 O documento britânico da Propecia refere que não há dados de fertilidade a longo prazo, que não foi feito nenhum estudo dirigido a homens com fertilidade reduzida, e que os homens que planeavam ter filhos foram inicialmente excluídos dos ensaios clínicos. Após a comercialização, chegaram notificações espontâneas de infertilidade e má qualidade seminal, algumas com outro fator de risco presente, e relataram-se casos de normalização ou melhoria da qualidade seminal após a interrupção do fármaco. Na tabela de efeitos secundários, a frequência da infertilidade é «desconhecida».3

A finasterida também aparece nas notificações de efeitos secundários. Segundo a análise de Tan e colaboradores, de 2025, na base de dados de efeitos secundários da FDA americana, entre 2004 e 2023, entre as notificações de má qualidade seminal, a finasterida foi a mais frequente (845 casos), a dutasterida a segunda (163).20 Gong e colaboradores, em 2026, na mesma base de dados americana, encontraram 45 notificações relativas à finasterida em que houve melhoria após a interrupção do fármaco, e 5 em que a queixa reapareceu com a retoma. Segundo o resumo dos autores, isto é uma evidência forte de relação causal; na discussão, sobre o mesmo assunto, escrevem que apoia a relação causal, mas que não pode ser decidido definitivamente a partir de notificações espontâneas, que é necessária confirmação por ensaio clínico bem desenhado, e que o número destas notificações é pequeno.21 São notificações voluntárias, e não se sabe quantas pessoas tomavam o fármaco entretanto, por isso não medem frequência; os autores também escrevem que, num fármaco conhecido, a atenção mediática pode inflacionar a proporção de notificações.

Pergunta isto ao teu médico, se já tiveste um resultado seminal fraco, ou se há algum tempo estão a tentar engravidar: no meu caso, é indicado interromper a finasterida, e devo fazer análise ao sémen antes e depois? Em homens com poucos espermatozoides e fertilidade reduzida, o grupo de Samplaski recomenda a interrupção.

Influencia a probabilidade de engravidar, e o que dizem as orientações?

Não há nenhum estudo sobre se a finasterida ou a dutasterida influenciam a probabilidade de conceção. Os valores espermáticos são sinais indiretos; quanto tempo um casal demora até engravidar não foi medido para nenhum dos dois fármacos. Drobnis e Nangia, em 2017, descreveram esta lacuna,19 e a minha própria pesquisa também não encontrou nenhum estudo assim desde então. Que uma gravidez pode ocorrer mesmo durante o uso do fármaco, isso é mostrado indiretamente pelos documentos: o resumo britânico da Propecia refere gravidezes em que a mulher foi exposta ao fármaco através do sémen de um homem que tomava finasterida.3

Analisei três orientações urológicas. A orientação de infertilidade masculina da sociedade americana de urologia e medicina reprodutiva (AUA/ASRM) (2020, com alteração em 2024) só identifica efeito, de entre os fármacos referidos, na finasterida: diminuição do volume seminal, que parece depender da dose. Classifica a evidência como de baixa qualidade, e não faz recomendação sobre a interrupção ou o momento certo.22 A orientação sobre azoospermia da sociedade urológica canadiana, de 2023, inclui os inibidores da 5-alfa-redutase (aqui se inclui a finasterida e a dutasterida) entre os fármacos sobre os quais é preciso perguntar durante a investigação.23 No capítulo online sobre infertilidade masculina da sociedade europeia de urologia (EAU), em setembro de 2026, não encontrei referência à finasterida nem à dutasterida.24

Um grupo de autores especializados em tricologia, Trüeb e colaboradores, em 2022, propõem, para a seleção de doentes ao prescrever finasterida, que pelo menos os homens inseguros quanto à sua fertilidade, mas na opinião deles talvez até todos, sejam observados por um andrologista (o especialista em fertilidade masculina). Quem achar isto embaraçoso pode começar por um teste caseiro de contagem espermática, mas, em caso de dúvida, isto não substitui uma avaliação andrológica completa. Em caso de fertilidade reduzida, segundo eles, a finasterida oral deve ser suspensa.25 Esta é uma recomendação dos autores, não a orientação de uma sociedade profissional.

O que podes levar daqui: nenhuma das orientações que analisei dá um número sobre quando deves interromper; a sugestão dos especialistas, ao começar a finasterida, é fazer análise ao sémen, pelo menos quem está inseguro quanto à sua fertilidade, mas segundo os autores talvez todos os que a começam.

Tenho de interromper antes de tentar engravidar, e se sim, com quanto tempo de antecedência?

Nenhuma das orientações e documentos que revi prevê de forma geral que se deva parar antes de tentar ter um filho, nem dá um prazo. Segundo Samplaski e colegas, a finasterida deve ser suspensa em homens com fertilidade reduzida e baixa contagem de espermatozoides, e usada com precaução por quem quer ter um filho; Trüeb e colegas também recomendam a suspensão em caso de fertilidade reduzida.1325 Se decidires com o teu médico parar, três peças ajudam a pensar no tempo: quanto tempo leva a eliminar o fármaco, quanto tempo leva a produzir um espermatozoide, e quando é que a melhoria apareceu nos casos descritos.

A semivida é o tempo em que a quantidade no sangue cai para metade. A da finasterida é, em homens entre os 18 e os 60 anos, de cerca de 5 a 6 horas, e acima dos 70 anos de cerca de 8 horas,3 ou seja, sai depressa do sangue. A da dutasterida mede-se em semanas: segundo o documento britânico, cerca de 3 a 5 semanas,9 e segundo o documento americano continua detetável no sangue durante 4 a 6 meses após a suspensão.10

A espermatogénese é a formação de espermatozoides: o processo desde as células iniciais no testículo até ao espermatozoide maduro. A estimativa clássica de Heller e Clermont, de 1963, aponta cerca de 64 dias.26 Misell e colegas, em 2006, mediram isto em 11 homens com concentração espermática normal: durante três semanas deram-lhes água pesada (água marcada com a variante mais pesada do hidrogénio) para beber, e os espermatozoides marcados apareceram no sémen, em média, 64 ± 8 dias (42 a 76 dias) depois.27 Segundo a revisão de Amann, de 2008, o valor aceite pode ter um erro de cerca de 6 dias, porque os dados dos anos 1960 não são suficientemente precisos.28

Nos casos descritos, a melhoria apareceu ao fim de meses. Em dois casos de Liu e colegas, ao fim de 3 e de 6 meses,14 no caso de Chiba e colegas, ao fim de 16 semanas,15 no de Tu e Zini, ao fim de 3 meses e depois mais 3.16 Com a dose de 5 mg, o volume de sémen voltou ao valor inicial, em média, ao fim de 84 semanas,7 e com a dutasterida a contagem total de espermatozoides, 24 semanas após o tratamento, ainda estava 23 por cento abaixo do valor inicial.9

Há um estudo recente sobre a dutasterida que também analisou a duração da toma, com limitações sérias. Kim e colegas, em 2025, dividiram 200 candidatos (entre os 28 e os 39 anos) de um centro de fertilidade coreano em cinco grupos de 40, consoante há quanto tempo tomavam 0,5 mg de dutasterida por dia para a queda de cabelo (menos de 6 meses, 6 a 12, 13 a 18, 19 a 24, ou mais de 24 meses), e voltaram a medi-los 6 meses após a suspensão. Quanto mais tempo tinham tomado, menor era o volume de sémen e a motilidade. Após a suspensão, a motilidade e o volume aumentaram em todos os grupos, mas nos dois grupos com toma mais longa a melhoria da motilidade não foi significativa, e no grupo mais longo também não o foi a do volume (p = 0,076). Os autores calcularam limiares de 17,8 e 20,3 meses para o desvio persistente.29 Não havia grupo sem toma de dutasterida, todos receberam também um programa de estilo de vida na altura da suspensão (restrição de cafeína, álcool e tabaco, sono, líquidos, exercício), há inconsistências internas nas suas tabelas, e uma carta de leitor (carta ao editor) aponta o índice de massa corporal como possível fator de confusão.30 Por isso, os 17,8 e os 20,3 meses são uma hipótese, não utilizável como limite de segurança.

A minha leitura pessoal, que não é orientação nem medição: a finasterida sai depressa do sangue, mas um espermatozoide demora, em média, cerca de dois meses a formar-se (na medição de Misell, entre 42 e 76 dias), e nos casos de homens inférteis a melhoria apareceu ao fim de 3 a 6 meses. A dutasterida em si continua detetável no sangue durante meses; quanto tempo no sémen após a suspensão, não encontrei essa medição.

A suspensão também tem um custo do lado do cabelo: segundo o documento britânico da Propecia, o efeito favorável começa a inverter-se ao fim de seis meses, e regressa ao ponto de partida ao fim de 9 a 12 meses.3 Pergunta isto ao teu médico: no meu caso, com este medicamento e este espermograma, faz sentido parar, e se sim, com quanto tempo de antecedência em relação à tentativa?

O que dizem os documentos se a minha companheira está grávida ou pode engravidar?

Os três medicamentos orais são contraindicados em mulheres grávidas ou que possam engravidar, porque podem perturbar o desenvolvimento dos órgãos genitais externos de um feto masculino; quanto a se é preciso preservativo por causa do sémen do homem, os documentos dizem coisas diferentes consoante o medicamento. A justificação do documento britânico da Propecia é que estes fármacos inibem, em certos tecidos, a conversão de testosterona em DHT, e que, se administrados a uma mulher grávida, podem causar anomalias nos órgãos genitais externos (o pénis e o escroto) de um feto masculino.3 Os documentos da finasterida de 5 mg e da dutasterida também as contraindicam em mulheres grávidas ou que possam engravidar.319

O comprimido e a cápsula. O comprimido intacto de finasterida está protegido por um revestimento, que se pode tocar em condições normais de manuseamento. O comprimido partido ou esmagado, pelo contrário, não pode ser manuseado por uma mulher grávida ou que possa engravidar, porque o princípio ativo pode ser absorvido, e isso pode representar um risco para o feto masculino.3 Se ainda assim houver contacto, o documento americano diz que a área de pele afetada deve ser lavada imediatamente com sabão e água.4 Na cápsula de dutasterida, os dois documentos divergem. O documento britânico diz que a dutasterida é absorvida pela pele, pelo que mulheres, crianças e adolescentes devem evitar o contacto com uma cápsula que esteja a verter, e que, após o contacto, a pele deve ser lavada imediatamente com sabão e água.9 O documento americano é mais estrito: uma mulher grávida ou que possa engravidar não deve sequer tocar na cápsula de Avodart, e se tocar numa cápsula a verter, a pele afetada deve ser lavada imediatamente com sabão e água.10

Quanto fármaco chega ao sémen? Um nanograma (ng) é a milésima milionésima parte de um grama. Com 1 mg por dia, em amostras de sémen de 35 homens, em 60 por cento (21 em 35) não havia finasterida detetável ao fim de seis semanas; a média foi 0,26 ng/ml e o valor mais alto medido foi 1,52 ng/ml. O documento americano considera o pior cenário: com o valor mais alto, 5 ml de sémen por dia e absorção vaginal completa, a mulher estaria exposta a, no máximo, 7,6 ng por dia, o que é 650 vezes menos do que os 5 microgramas (5000 ng) que, em homens, não alteraram o nível sanguíneo de DHT.4 Segundo o documento britânico da Propecia, menos de 0,001 por cento da dose de 1 mg passa para o sémen por ejaculação, e, com base em estudos em macacos rhesus, não é provável que esta quantidade represente um risco para o feto masculino: em macacas prenhas, uma dose intravenosa diária de 800 ng, administrada durante todo o período de desenvolvimento embrionário e fetal, não causou anomalias nos fetos machos, o que é pelo menos 750 vezes a maior exposição estimada por via do sémen.3

Com 5 mg por dia, no sémen de 69 homens saudáveis, entre as 6 e as 24 semanas, a finasterida variou entre o não detetável e 10,54 ng/ml; numa medição mais antiga e menos sensível, em 16 homens, até 21 ng/ml; o documento americano estima isto como 50 a 100 vezes menos do que os referidos 5 microgramas.7 Segundo o documento britânico da Proscar, não se sabe se o contacto de uma mulher grávida com o sémen de um homem que toma 5 mg prejudica o feto masculino; em macacas rhesus prenhas, a mesma dose intravenosa diária de 800 ng, cerca de 60 a 120 vezes a quantidade estimada no sémen de um homem que toma 5 mg, não causou anomalias nos fetos machos.31

Com 0,5 mg de dutasterida por dia, no sémen de 26 homens, ao fim de 12 meses, a média foi 3,4 ng/ml (0,4 a 14), o que corresponde, em média, a 11,5 por cento do nível sérico. O documento americano estima, para uma mulher de 50 kg, 5 ml de sémen e absorção completa, um nível sanguíneo de cerca de 0,0175 ng/ml, cerca de 100 vezes menos do que o que, em estudos com animais, causou anomalias nos órgãos genitais masculinos, e a dutasterida no sémen está ligada a proteínas em mais de 96 por cento, o que pode reduzir a quantidade disponível para absorção vaginal. No estudo em macacas prenhas, os órgãos genitais externos das crias do sexo masculino não se feminizaram; na dose mais alta estudada, porém, os fetos apresentaram menor peso da suprarrenal e da próstata, e maior peso do ovário e do testículo. O documento, calculando estas doses para o pior cenário (a concentração mais alta medida no sémen e absorção completa), dá-as como, no máximo, 16 vezes a maior exposição possível da mulher, e, ajustado ao peso corporal, 32 a 186 vezes.10 Segundo o documento britânico do Avodart, não se sabe se a dutasterida recebida através do sémen prejudica o feto masculino; se prejudicar, o risco é maior nas primeiras 16 semanas de gravidez. Com base nos dados em macacos, o documento considera isto improvável, mas recomenda preservativo de qualquer forma, se a parceira estiver grávida ou puder estar.9

A questão do preservativo, por medicamento:

MedicamentoResumo das características do medicamento britânico (emc): sémen e parceira grávidaDocumento americano (FDA)
Finasterida 1 mg (Propecia)A pequena quantidade no sémen, com base nos estudos em macacos, é «pouco provável que represente um risco» para o feto masculino. Não recomenda preservativo.Não recomenda preservativo.
Finasterida 5 mg (Proscar)Não se sabe se a finasterida recebida através do sémen prejudica o feto masculino; no estudo em macacos, 60 a 120 vezes a quantidade estimada no sémen não causou anomalias. Recomenda-se que o doente reduza ao mínimo o contacto da parceira grávida ou que possa engravidar com o seu sémen.Não recomenda preservativo.
Dutasterida 0,5 mg (Avodart)Não se sabe se a dutasterida recebida através do sémen prejudica o feto masculino (se prejudicar, o risco é maior nas primeiras 16 semanas); com base nos dados em macacos, o documento considera isto improvável. Recomenda-se o uso de preservativo, se a parceira estiver grávida ou puder estar.Não recomenda preservativo.
Finasterida em spray (Fynzur, Finjuve)O resumo das características do medicamento húngaro não dá instruções sobre o sémen. Uma mulher grávida ou que possa engravidar não pode entrar em contacto com o spray, com o couro cabeludo tratado nem com as superfícies onde o spray foi aplicado.Não existe spray de finasterida aprovado nos EUA.

As fontes da tabela são os resumos das características do medicamento britânicos da Propecia,3 da Proscar31 e do Avodart,9 e o resumo húngaro do Fynzur,12 e, do lado americano, os três documentos da FDA4710 e o comunicado da FDA de 2025.32 Não vi o resumo húngaro ou de outro país da UE para a finasterida de 1 mg, por isso cito aí o texto britânico.

Há poucos dados sobre nascimentos. Segundo o documento britânico da Propecia, houve, em notificações pós-comercialização, dados sobre 8 rapazes nascidos vivos de mulheres expostas através do sémen durante a gravidez, e num caso notificado a posteriori o bebé tinha hipospádia simples (a abertura da uretra não está na ponta do pénis). O documento diz que, a partir disto, não se pode avaliar a causalidade, e que a hipospádia é relativamente comum, ocorrendo em 0,8 a 8 de cada 1000 rapazes nascidos vivos. Em ensaios clínicos nasceram mais 9 rapazes após exposição através do sémen, sem anomalias notificadas.3 Isto é 8, mais outros 9, rapazes nascidos vivos, o que é pouco para excluir uma anomalia rara.

Zeng e colegas, em 2025, analisaram 3210 notificações de exposição paterna, das 16 180 533 notificações de 2010 a 2022 na base de dados de efeitos adversos da FDA, e o par finasterida-criptorquidia (quando o testículo não desce ao escroto) mostrou uma taxa de notificação destacada, com base em 11 notificações.34 A taxa de notificação mede com que frequência um fármaco e um sintoma aparecem juntos nas notificações, em comparação com outros fármacos; não mede risco, porque não se sabe quantos pais tomaram o fármaco. Os autores dizem que o sinal é indireto, mas motivo de suspeita, e que as notificações podem estar enviesadas. Não encontrei um estudo de seguimento, que acompanhe a toma de milhares de pais até ao nascimento (estudo de coorte ou de registo), para a finasterida ou a dutasterida.

O que podes retirar disto: a questão do preservativo depende de qual medicamento tomas. Os documentos britânicos não recomendam preservativo para a finasterida de 1 mg, recomendam reduzir o contacto com o sémen para a de 5 mg, e recomendam preservativo para a dutasterida. Mantém o comprimido partido e a cápsula de dutasterida (segundo o documento americano, também a intacta) longe da tua parceira grávida ou que possa engravidar.

O spray pode ser mais suave, se quisermos ter um filho?

Pode ser, mas não há medição: o resumo das características do medicamento do spray afirma que o seu efeito na fertilidade humana não foi estudado.12 A ideia decorre do facto de o nível sanguíneo de finasterida ser muito mais baixo, e a DHT também descer menos; para a parceira grávida, porém, o spray tem um risco próprio, por contacto cutâneo. A finasterida pulverizada no couro cabeludo é comercializada na Hungria como Fynzur, e em vários países da UE como Finjuve, e é um medicamento sujeito a receita médica. Também me surgiu a dúvida se, ao planear ter um filho, o spray poderia ser o caminho mais viável. Os três factos, juntos, dão a imagem completa.

O primeiro facto: a fertilidade não foi estudada. Não encontrei nenhum estudo sobre esperma, sémen ou conceção com o spray, nem uma medição de finasterida no sémen após o spray. O resumo diz que, como o pico médio do nível sanguíneo de finasterida após o spray é mais de cem vezes mais baixo do que com o comprimido de 1 mg, «não é provável» que o princípio ativo chegue ao sémen.12 Esta é a conclusão do resumo, sem medição por trás.

O segundo facto: o nível sanguíneo é mais baixo, e a DHT desce menos. Piraccini e colegas, em 2022, distribuíram aleatoriamente 458 homens entre os 18 e os 40 anos para o spray (189), o placebo (184) ou o comprimido de 1 mg por dia (85), em dupla ocultação, durante 24 semanas, em 45 centros europeus, incluindo 6 na Hungria. À 24.ª semana, o pico mais alto do nível sanguíneo de finasterida foi, em média, 48,0 pg/ml com o spray e 5029 pg/ml com o comprimido (um picograma é a milésima parte do nanograma). O nível sanguíneo de DHT desceu 34,5 por cento com o spray e 55,6 por cento com o comprimido, face ao valor inicial, sem alteração no grupo placebo.35 Segundo o resumo do spray, de entre os que tinham a DHT dentro do intervalo normal no início, esta desceu abaixo do intervalo normal em 15,3 por cento com o spray e em 55,2 por cento com o comprimido, e ambas as descidas foram clinicamente significativas.12 Segundo os autores, isto não exclui, em nenhuma das formas, efeitos secundários sistémicos ligados à descida da DHT, mas são menos prováveis com o spray.35 Este estudo não teve um objetivo de fertilidade.

Descida do nível sanguíneo de DHT ao fim de 24 semanas Comprimido de 1 mg descida de 55,6%Finasterida pulverizada descida de 34,5%Piraccini e colegas, JEADV 2022 (a fertilidade não foi medida)

Descida do nível sanguíneo de DHT ao fim de 24 semanas

Piraccini e colegas, JEADV 2022 (a fertilidade não foi medida)

Descida do nível sanguíneo de DHT ao fim de 24 semanas, face ao valor inicial, no mesmo estudo: comprimido de 1 mg por dia e finasterida pulverizada no couro cabeludo. A descida da DHT é um sinal indireto, a fertilidade não foi medida neste estudo.

O terceiro facto: para a parceira grávida, o spray tem um risco próprio. O resumo diz que uma mulher grávida ou que possa engravidar não pode entrar em contacto com o spray, com o couro cabeludo tratado com o spray, nem com as superfícies onde o spray foi aplicado, porque a finasterida pode ser absorvida, e isso pode representar um risco para o feto masculino; após um contacto acidental, a parte do corpo afetada deve ser lavada cuidadosamente. O couro cabeludo tratado não deve tocar na almofada, no capacete ou no chapéu até secar, e o spray deve ficar no couro cabeludo durante pelo menos 6 horas.12 Além da proibição para a mulher grávida, o resumo não dá um limite de tempo. Um blogue em inglês sobre queda de cabelo (Perfect Hair Health), numa atualização de 2025, refere cerca de 30 minutos de secagem e o mesmo período a evitar o contacto físico,36 o que é mais brando do que o resumo oficial. Segundo a própria estimativa do resumo, na dose diária máxima recomendada, o nível sanguíneo do homem tratado é 39 vezes inferior à exposição que, em macacas rhesus prenhas, ainda se calculou como o nível sem efeito nocivo, e estima que o da parceira seja ainda menor;12 mesmo assim, a proibição mantém-se. Com o comprimido, esta precaução não existe: o comprimido intacto pode ser tocado, e a regra sobre o sémen varia consoante o medicamento.

O spray e o comprimido também diferem noutros aspetos. A revisão de 2025 da EMA confirmou que, com a finasterida oral de 1 mg, pode ocorrer ideação suicida, com frequência desconhecida. Na base de dados de efeitos adversos da UE identificaram-se 325 casos destes, 313 com a finasterida e 13 com a dutasterida (num caso notificaram-se ambos), com cerca de 270 milhões e 82 milhões de anos-doente de uso estimado, respetivamente (um ano-doente é uma pessoa a tomar o fármaco durante um ano). Para o spray, segundo a autoridade, não há evidência suficiente de uma relação causal, pelo que o resumo do spray não foi alterado.837 Sobre o comprimido, escrevi isto em detalhe no artigo principal, e sobre o spray, no artigo sobre a finasterida tópica.

A minha leitura pessoal: «pode ser mais suave» é uma conclusão tirada do nível sanguíneo mais baixo e da menor descida da DHT, sem medição de fertilidade por trás. Para o período da gravidez, porém, o spray traz uma tarefa nova, manter o couro cabeludo tratado, a almofada, o boné e a mão longe da tua parceira, que não é necessária com o comprimido. Pergunta isto ao médico que prescreve, se estiveres a pensar mudar para o spray: no meu caso, o spray tem vantagem sobre o comprimido durante o período de planeamento de um filho, e como lidamos com o contacto cutâneo se a minha parceira engravidar?

E o minoxidil, se quisermos ter um filho?

Não há estudo de fertilidade humana sobre o minoxidil; há estudos em animais e um sinal em notificações de efeitos adversos. O resumo das características do medicamento do minoxidil oral (Loniten) afirma que não há dados de fertilidade em humanos; em ratos e ratas, a taxa de fecundação desceu de forma dependente da dose, a partir de uma a cinco vezes a dose máxima usada no tratamento da tensão arterial em humanos.38 O minoxidil oral em dose baixa, usado para a queda de cabelo, é uso fora da indicação aprovada (off-label), e não pesquisei isto em separado. O resumo da solução tópica a 5 por cento (Regaine) também só publica dados em ratos: por via oral, a partir de pelo menos 8 vezes a exposição humana, e por via subcutânea, a partir de pelo menos 25 vezes, a taxa de fecundação e de implantação desceu.39

A revisão sistemática de Santana e colegas, de 2023, reuniu 31 estudos celulares e em roedores. Segundo os autores, ambos os fármacos atuaram como desreguladores hormonais, causando sobretudo stress oxidativo (o excesso de moléculas derivadas do oxigénio que danificam as células) e alterações estruturais no testículo, e a finasterida pode ser mais prejudicial para a saúde reprodutiva masculina.40 Isto não é dado humano. Segundo o documento britânico da Propecia, os estudos em animais não mostraram efeitos negativos relevantes na fertilidade (escrevi acima sobre as notificações de infertilidade pós-comercialização),3 e o artigo de Santana também escreve que, para o minoxidil, não há consenso sobre se prejudica a fertilidade masculina. A análise de Gong e colegas, de 2026, também encontrou, nas notificações de efeitos adversos, um sinal de infertilidade para o minoxidil, além da finasterida e da dutasterida; os autores sublinham que é um sinal de notificação, sem frequência nem causalidade, e o resumo não separa a forma tópica da oral.41 Nem o documento do comprimido de 1 mg nem o do spray publicam dados sobre o uso conjunto de finasterida e minoxidil tópico.312

Não pesquisei se o minoxidil no couro cabeludo do homem afeta, por contacto, a parceira grávida, por isso não escrevo sobre isso. O que podes retirar disto: não há estudo de fertilidade humana sobre o minoxidil, só estudos em animais e um sinal de notificação, por isso, se estiverem a planear ter um filho, pergunta isto ao médico também, a par da finasterida.

Posso dar sangue enquanto tomo?

O motivo da espera para dar sangue é o mesmo que na parceira grávida: uma mulher grávida também pode receber o sangue recolhido. Segundo o documento americano do Avodart, não se deve dar sangue durante pelo menos 6 meses após a dutasterida, para que uma mulher grávida não receba dutasterida através de uma transfusão.10 Não encontrei um aviso sobre dádiva de sangue nos documentos britânicos do Avodart e da Propecia, por isso é a regra do teu serviço de doação de sangue nacional que conta.

O que perguntar ao teu médico antes de avançarem?

As respostas dependem do teu medicamento, do teu espermograma e da tua situação, por isso vale a pena anotar isto antes de ires ao médico que prescreve, ou a um andrologista, se também quiserem ver o esperma:

  • Qual medicamento tomo exatamente (finasterida de 1 mg ou de 5 mg, dutasterida ou spray), e o que diz o respetivo documento sobre o sémen e a parceira grávida?
  • É preciso um espermograma agora, enquanto tomo o medicamento, e se parar, quando vale a pena repetir?
  • No meu caso, faz sentido parar antes de tentarem, e se sim, com quanto tempo de antecedência?
  • O que vai acontecer entretanto ao meu cabelo, e quando posso recomeçar?
  • Se mudasse para o spray, tenho alguma vantagem durante o período de planeamento de um filho, e como lidamos com o contacto cutâneo se a minha parceira engravidar?
  • O que faço com o minoxidil e os outros produtos que uso no cabelo?

Perguntas frequentes

A finasterida reduz a contagem de espermatozoides?

A dose diária de 1 mg, no estudo de 1999 de Overstreet e colegas, com 48 semanas e controlado por placebo, não alterou de forma significativa a contagem, a motilidade nem a forma dos espermatozoides em homens saudáveis entre os 19 e os 41 anos.2 Com a dose de 5 mg, Amory e colegas, em 2007, mediram, na 26.ª semana, uma descida de 34 por cento na contagem total de espermatozoides face ao valor inicial, que já não era significativa na 52.ª semana.5 Em homens já com produção espermática fraca, descreveu-se uma grande melhoria após a suspensão, sem grupo de controlo.13

A minha parceira pode engravidar se eu tomar finasterida?

Sim, isto acontece: o documento britânico da Propecia refere gravidezes em que a mulher foi exposta ao fármaco através do sémen de um homem que tomava finasterida, e relata também os rapazes nascidos vivos dessas gravidezes.3 Já se a finasterida reduz a probabilidade de conceção, nenhum estudo mediu isso; Drobnis e Nangia, em 2017, descreveram esta lacuna.19 Em caso de produção espermática já comprometida, segundo os autores de um relato de caso, o fármaco pode agravá-la ainda mais.15

Tenho de parar a finasterida antes de tentarmos conceber, e se sim, com quanto tempo de antecedência?

Nenhuma das orientações e documentos que revi impõe a suspensão de forma geral, nem dá um prazo. Segundo Samplaski e colegas, em homens com fertilidade reduzida e baixa contagem de espermatozoides recomenda-se a suspensão, e uso com precaução em quem quer ter um filho.13 As peças: a semivida da finasterida é de 5 a 6 horas,3 um espermatozoide, segundo a estimativa clássica de Heller e Clermont, de 1963, demora cerca de 64 dias a formar-se,26 e nos casos de homens inférteis a melhoria apareceu 3 a 6 meses após a suspensão.14 Se é preciso no teu caso, isso é melhor decidir com o teu médico, com base no teu espermograma e no teu medicamento.

Preciso de preservativo se a minha parceira está grávida e eu tomo finasterida?

A regra varia consoante o medicamento. O documento britânico da Propecia de 1 mg não recomenda preservativo, e, com base nos estudos em macacos, não considera provável que a quantidade no sémen represente um risco.3 O documento britânico da Proscar de 5 mg diz que não se sabe se o sémen prejudica o feto masculino, e recomenda que a parceira tenha o mínimo de contacto possível com ele.31 O documento britânico do Avodart diz que não se sabe se a dutasterida recebida através do sémen prejudica o feto masculino; com base nos dados em macacos, considera isto improvável, mas recomenda preservativo de qualquer forma.9 Nenhum dos documentos americanos recomenda preservativo.4710

A minha parceira grávida pode tocar no comprimido de finasterida?

O comprimido intacto e revestido, sim, o revestimento impede o contacto com o princípio ativo em condições normais de manuseamento. O comprimido partido ou esmagado, segundo o documento britânico da Propecia, não pode ser manuseado por uma mulher grávida ou que possa engravidar, porque o princípio ativo pode ser absorvido, e isso pode representar um risco para o feto masculino.3 Se ainda assim houver contacto, o documento americano diz que a pele afetada deve ser lavada imediatamente com sabão e água.4 Na cápsula de dutasterida, o documento britânico proíbe a cápsula a verter,9 e o documento americano diz que uma mulher grávida ou que possa engravidar não deve sequer tocar na cápsula intacta.10

E se a minha parceira já engravidou enquanto eu tomava finasterida?

O documento britânico da Propecia de 1 mg diz que menos de 0,001 por cento da dose passa para o sémen por ejaculação, e que em macacas prenhas, pelo menos 750 vezes a maior exposição estimada, não causou anomalias nos fetos machos; refere 8 rapazes notificados e mais 9 nascidos vivos em ensaios clínicos, após exposição através do sémen, com um caso de hipospádia em que a causalidade não pode ser avaliada.3 O documento britânico da Proscar de 5 mg diz que não se sabe se o sémen prejudica o feto masculino; em macacos, 60 a 120 vezes a quantidade estimada no sémen não causou anomalias.31 Diz ao médico que acompanha a gravidez qual fármaco tomaste, e em que dose.

O spray de finasterida tópica é mais seguro, se quisermos ter um filho?

Não há medição: o resumo das características do medicamento do spray afirma que o seu efeito na fertilidade humana não foi estudado.12 No estudo de 2022 de Piraccini e colegas, o pico do nível sanguíneo de finasterida foi mais de cem vezes mais baixo do que com o comprimido, e o nível sanguíneo de DHT desceu 34,5 por cento, contra 55,6 por cento com o comprimido.35 Disto só se pode concluir que pode ser mais suave. Uma mulher grávida ou que possa engravidar, porém, não pode entrar em contacto com o couro cabeludo tratado nem com as superfícies onde o spray foi aplicado.12

Com a dutasterida a situação é diferente ao planear ter um filho?

Também não encontrei um número numa orientação para isto, mas a dutasterida é outra categoria: a sua semivida é de 3 a 5 semanas,9 e continua detetável no sangue durante 4 a 6 meses após a suspensão.10 Segundo o documento britânico, a contagem total de espermatozoides, 24 semanas após o tratamento, ainda estava 23 por cento abaixo do valor inicial;9 Amory e colegas relataram, para o mesmo ponto no tempo, uma descida de 23,3 por cento, não significativa.5 O documento britânico do Avodart diz que não se sabe se a dutasterida recebida através do sémen prejudica o feto masculino; se prejudicar, o risco é maior nas primeiras 16 semanas. Com base nos dados em macacos, considera isto improvável, mas recomenda preservativo de qualquer forma, se a parceira estiver grávida ou puder estar.9

O sémen volta ao normal se eu parar?

Os documentos oficiais dizem que, após a suspensão, foram notificadas normalização ou melhoria da qualidade do sémen; não dizem que isto acontece sempre.3 Com a dose de 5 mg, o volume de sémen voltou ao valor inicial, em média, ao fim de 84 semanas.7 Com a dutasterida, segundo o documento britânico, a contagem total de espermatozoides, 24 semanas após o tratamento, ainda estava 23 por cento mais baixa,9 mas Amory e colegas relataram, para o mesmo ponto no tempo, uma descida de 23,3 por cento, não significativa.5 Em três homens, seguidos num centro de fertilidade, que tomavam finasterida há cinco anos, um ano após a suspensão a produção espermática recuperou, mas a proporção de espermatozoides com número anómalo de cromossomas manteve-se elevada; o artigo não refere uma medição anterior ao tratamento, por isso a causa não pode ser avaliada.17

Vale a pena fazer um espermograma antes de planearmos ter um filho?

Nenhuma orientação obriga a isso. A recomendação de 2022 de Trüeb e colegas refere-se à prescrição de finasterida: dos homens que iniciam o tratamento, pelo menos aquele que tem dúvidas sobre a sua fertilidade, mas possivelmente todos os homens tratados, deve ser observado por um andrologista (o médico especialista em fertilidade masculina). Quem achar isto incómodo pode começar por um teste caseiro de contagem espermática, mas em caso de dúvida isto não substitui o exame completo.25 Segundo Samplaski e colegas, em homens com baixa produção espermática e fertilidade reduzida recomenda-se a suspensão da finasterida, e uso com precaução em quem quer ter um filho.13

Posso usar minoxidil se estivermos a planear ter um filho?

Não há estudo de fertilidade humana sobre o minoxidil: o documento do minoxidil oral afirma isto mesmo, e descreve uma descida dependente da dose na taxa de fecundação, medida em ratos.38 O documento da solução tópica a 5 por cento também só publica dados em ratos, a partir de pelo menos 8 vezes a exposição humana.39 A análise de 2026 de Gong e colegas também encontrou, nas notificações de efeitos adversos, um sinal de infertilidade para o minoxidil; é um sinal de notificação, sem frequência nem causalidade.41 Os documentos não publicam dados sobre o uso conjunto de finasterida e minoxidil tópico.312

O que acontece ao meu cabelo se eu parar a finasterida por causa do planeamento de um filho?

Segundo o documento britânico da Propecia, o efeito favorável começa a inverter-se ao fim de seis meses, e regressa ao ponto de partida ao fim de 9 a 12 meses.3 A pausa por causa do planeamento de um filho é, portanto, também uma decisão do lado do cabelo. O que fazer entretanto, e quando vale a pena recomeçar, vale a pena discutir com o médico que prescreve, com base no teu espermograma e no estado do teu cabelo.

Pode prejudicar o bebé se eu tomava finasterida na altura da conceção?

Não encontrei um estudo de seguimento que tenha acompanhado milhares de pais até ao nascimento. O documento britânico da Propecia refere 8 rapazes notificados e mais 9 nascidos vivos em ensaios clínicos, de mães expostas através do sémen: num caso notificado a posteriori, com hipospádia, a causalidade não pode ser avaliada; nos 9 nascimentos em ensaios clínicos não se notificaram anomalias.3 Zeng e colegas, em 2025, viram, na base de dados da FDA, um sinal destacado para a criptorquidia, com base em 11 notificações, o que é uma taxa de notificação, não um risco.34

Marci
Marci
Fundador da dermastamp.hu · estudante de estética

Ando a estudar estética e sou o fundador da dermastamp.hu. Aos 16 anos reparei que o meu cabelo estava a cair e comecei a tratá-lo aos 18. O que uso desde então no meu próprio cabelo:

  • minoxidil, há 4 anos
  • finasterida, há 3 anos
  • champô com cetoconazol
  • microagulhamento no meu couro cabeludo: há 1 ano, semanalmente, com o Dermastamp, e antes disso com dermaroller

No rosto uso o stamp a cada 2-3 semanas, há um ano, por causa das cicatrizes de acne e das rugas da testa. Faço estas coisas ao mesmo tempo, por isso não consigo separar o que foi dado especificamente pelo Dermastamp. Não sou médico, e nas questões de risco recomendo o dermatologista.

Foi útil? Se quiseres que o Google te mostre os meus artigos com mais frequência, adiciona dermastamp.hu como fonte preferida.

Fontes

As fontes são estudos, relatos de caso, documentos, comunicados oficiais e orientações profissionais sobre os aspetos de fertilidade e gravidez da finasterida, da dutasterida e do minoxidil. Nenhuma mediu a probabilidade de conceção, e não há estudo de fertilidade sobre a finasterida pulverizada no couro cabeludo.

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